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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

18.Mar.07

MEDIDAS EXTREMAS

 

                                                      

Um filme em que o Dr. Guy Luthan é um médico experiente e profissional, com uma enorme capacidade de comunicação com os seus pacientes, uma grande disponibilidade e empatia. Luthan procura sempre manter uma conversa com os seus doentes, que os acalme, e relatar-lhes os seus procedimentos. Numa determinada ocasião, Luthan tem um polícia baleado por um ladrão (também no hospital), ambos a necessitarem de cirurguia e apenas uma sala, pelo que tem de escolher. Opta por mandar o polícia para a sala, alegando mais tarde o facto deste ter família e de ter sido baleado pelo ladrão, e operar o outro, ele próprio naquele local.

Num dia, aparece-lhe um homem num estado muito estranho. Todos os seus sintomas são anormais, tal como o momento em que, sem justificação, fica estável.  Luthan não percebe o que se passou, acha tudo muito estranho. O doente soletra algumas palavras: o seu nome, um nome estranho – Triphase - , pede para procurarem determinado homem e pede ajuda ao Dr. Luthan. Pouco depois morre.

Cada vez mais intrigado com toda esta situação, o médico vai iniciar uma intensa investigação sobre o que se terá passado. E quanto mais avança, mais descobre o terreno incerto e perigoso que pisa. Só encontra incoerências: mentem-lhe, pelo telefone, acerca da causa da morte, o corpo desaparece tal como o seu registo de óbito, não encontra nenhum farmacêutico designado “Triphase”, não consegue descobrir a que hospital pertence aquela pulseira, que o falecido possuía.

Acaba por ver-se envolvido no caso. Alguém conseguiu que lhe encontrassem drogas em casa, depois da simulação de um assalto. Perde a licença de médico e a oportunidade de ir leccionar na Universidade. Alguém descobriu o seu olhar intrometido e quer arruinar-lhe a vida.

Mas ele não desiste e vai levar a sua investigação até ao fim.

No final percebemos que várias situações podem ser aquelas que nos levam a medidas extremas. As vítimas de vários tipos de paralisia, de tal forma movidas pelo desespero, estão dispostas a tudo para voltarem a andar, a ter uma vida que possam considerar normal, é a sua situação debilitada que as leva a “medidas extremas”. O médico neurologista está de tal forma empenhado nas suas investigações e no seu objectivo de eliminar este sofrimento do planeta, que fez todo o possível para o alcançar, através de “medidas extremas”.

 

“Morrem pessoas todos os dias para nada … Há muitas mortes sem sentido. (…) Se puder curar o cancro matando uma pessoa, não o faria? Uma pessoa e o cancro erradicado?” (Dr. Myrick)

 

O Dr. Luthan, desconfiado de tudo o que sem passado, faria qualquer coisa, tomaria todas as “medidas extremas” para poder descobrir a verdade encoberta.

 

“Talvez tenha razão. Aqueles homens lá em cima, talvez as vidas deles importem pouco. Talvez se tornem úteis para o mundo. Talvez sejam heróis. Mas não foi por escolha deles. A escolha foi sua. Não escolheu a sua mulher nem a sua neta. Não pediu voluntários. Escolheu-os. E isso não pode fazer. Porque é médico. E fez um juramento. E não é Deus. Por isso não quero saber que é capaz de fazer aquilo que diz ou se pode curar todas as doenças do planeta. Torturou e assassinou esses homens lá em cima. É pois uma desonra para a profissão. Oxalá vá para a cadeia por toda a vida.” (Dr. Luthan)

 

“Há esperança neste maço. O meu marido tentava fazer uma coisa boa, mas foi por maus caminhos. Talvez o senhor possa fazê-lo correctamente.” (Mrs. Myrick)

 

 

QUESTÕES  ÉTICAS:

 

O filme é rico em questões éticas da prática da Medicina.

A mais notável é, sem dúvida, o uso de sem-abrigo numa experiência, que quase sempre os leva à morte, sem o seu consentimento. Sem dúvida que a descoberta de uma forma de curar as paralisias seria uma grande descoberta para a Medicina, mas sobretudo para o Mundo. Porém, e apesar do objectivo ambicioso tomado pelo Dr. Myrick, os métodos não são claramente correctos, tocando mesmo a linha do desumano.

Quanto aos pacientes deste médico, que limites atinge o desespero, para chegarem ao ponto de concordar com o egoísta sacrifício da vida de outras pessoas pela sua liberdade de movimentos. Várias vidas, por uma cura.

 

“Quando se julgou paralisado, que faria para poder andar outra vez? “Tudo.” Você próprio o disse. Tudo. Esteve assim durante 24 horas. A Helen não anda há 12 anos. Eu posso curá-la e a todos como ela.” (Dr. Myrick)

 

O mais extraordinário neste filme, é a possibilidade de percebermos que não é difícil atingir este desespero, por muito moralistas ou eticamente correctos que sejamos. O próprio Dr. Luthan, aquando do seu falso diagnóstico de paralisia do pescoço para baixo, afirma que seria capaz de “tudo” para voltar a mover-se. De “tudo”.

Quanto ao Dr. Luthan há também a escolha inicial dos pacientes. Até que ponto ele foi justo na escolha do paciente para a sala de cirurgia. Escolheu o que estava em melhores condições pois a garantia de sobreviver era maior… Mas será que o raciocínio não deveria ser o contrário? O paciente, em piores condições, em maior risco de vida, não deveria seguir para a sala de cirurgia, numa tentativa de o salvar, e o outro ficar a ser operado na sala de urgências? E nós, quando futuros médicos? Como decidir numa fracção de momentos, quem escolher? Como conseguir obter uma decisão imparcial, justa e eticamente correcta?

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